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  • Outubro 29, 2019
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    Os livros fazem parte do meu dia-dia, e apesar da frequência de posts sobre esse tema ter diminuído, eles estão mais presentes do que nunca na minha rotina. Nos últimos dois anos eu tenho lido pouca ficção (diferente dos meus anos de adolescência, em que eu lia livros young adult toda semana), e feito uma imersão em livros sobre política, sociologia, filosofia, e principalmente, os de teoria feminista.

    O que eu andei lendo nos últimos meses, e principalmente, em Outubro? Depois de pegar o hábito de ler mais de um livro por vez, não consigo escolher apenas um. Todos esses vão ganhar resenha própria no site depois!

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    O Mito da Beleza (1991) – Naomi Wolf

    “Em O mito da beleza, a jornalista Naomi Wolf afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulado pelo patriarcado e atua como mecanismo de controle social para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970. As leitoras e os leitores encontrarão exposta a tirania do mito da beleza ao longo dos tempos, sua função opressora e as manifestações atuais no lar e no trabalho, na literatura e na mídia, nas relações entre homens e mulheres e entre mulheres e mulheres.”

    Um clássico do feminismo, O Mito da Beleza é uma das referências literárias quando se fala no feminismo contemporâneo. A autora faz uma análise extensa sobre a relevância do mito da beleza; algo que toda mulher convive desde o seu nascimento, em graus e complexidades diferentes. Escrito em 1991, ele traça um contexto histórico desde o final da Segunda Guerra, quando as mulheres começam a trabalhar fora de casa. Após a queda da construção da norma de que as esposas serviam apenas para cuidar do lar, era necessário criar outra limitação que aprisionasse as mulheres. O livro também aborda a questão do trabalho e das diferenças salariais, e a origem dos desafios do sexo feminino durante a carreira. Naomi Wolf faz análises interessantes, baseadas em muitos dados. Ansiosa para ler até o final.

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    Uma Autobiografia (2019) – Angela Davis

    Lançada originalmente em 1974, a obra é um retrato contundente das lutas sociais nos Estados Unidos durante os anos 1960 e 1970 pelo olhar de uma das maiores ativistas de nosso tempo. Davis, à época com 28 anos, narra a sua trajetória, da infância à carreira como professora universitária, interrompida por aquele que seria considerado um dos mais importantes julgamentos do século XX e que a colocaria, ao mesmo tempo, na condição de ícone dos movimentos negro e feminista e na lista das dez pessoas mais procuradas pelo FBI. A falsidade das acusações contra Davis, sua fuga, a prisão e o apoio que recebeu de pessoas de todo o mundo são comentados em detalhes por essa mulher que marcou a história mundial com sua voz e sua luta.

    Depois de muitos anos, chega ao Brasil em 2019 a autobiografia da ativista marxista, vegana e abolicionista penal Angela Davis, que veio ao Brasil na semana passada, passando por diversos eventos (um deles, a conferência “Democracia em Colapso?”), promovido pela Boitempo, que publicou o livro no Brasil. Assim como outros livros da autora, Angela narra com maestria acontecimentos políticos e históricos sob a sua visão de resistência; ela reconta sua infância em Birmingham, no Alabama – uma das cidades mais conservadoras do Sul dos Estados Unidos -, sua entrada na Universidade e na militância, e sua prisão no início dos anos 1970, que originou o movimento Free Angela Davis. Apesar de mostrar o seu ponto de vista, a autobiografia não foca apenas na vida da ativista, e sim da importância das lutas que ela participou, como o movimento contra o encarceramento em massa da população negra, e o Comitê de Defesa dos Irmãos Soledad.

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    Léxico Familiar (1963) – Natalia Ginzburg

    “Neste livro, lugares, fatos e pessoas são reais. Não inventei nada”, escreve Natalia Ginzburg sobre sua obra mais célebre, Léxico familiar, de 1963. Nos anos 1930, como consequência da criação de leis raciais na Europa, inúmeras famílias foram obrigadas a deixar seu lar, tornando-se apátridas ou sendo literalmente destroçadas pela guerra que se seguiu. É nesse cenário que se inscrevem as memórias de Ginzburg. Nelas, o vocabulário afetivo de um clã de judeus antifascistas se contrapõe a um mundo sombrio, atravessado pelo autoritarismo. Trata-se de uma história de resistência, narrada em tom menor, e, sobretudo, da gênese de uma das escritoras mais poderosas do nosso tempo.

    Léxico Familiar é um daqueles livros imperdíveis para os apaixonados por História. Longe de ser uma ficção, a obra, descrita pela autora como um romance – mas que é realista da primeira à última página -, narra a Segunda Guerra Mundial, e a sua complexidade dentro do âmbito familiar, pelo olhar de uma menina jovem. Natalia era a mais nova de cinco irmãos. A família judia tenta sobreviver em meio ao fascismo da Itália. O pai, Giuseppe Levi, é um acadêmico e professor, com convicções políticas socialistas fortes – característica presente em todos os membros da casa -, para a surpresa até mesmo do próprio Giuseppe. Os irmãos de Natalia também se descobrem indivíduos políticos no decorrer dos anos da Guerra. A narração da menina jovem contrasta com as brigas familiares bobas no jantar e as prisões dos seus irmãos, exilados por serem descobertos como conspiradores pelos fascistas.

    Referências

    •  MENDES, Igor. George Jackson, teu nome é resistência. 2017. Disponível em: <https://anovademocracia.com.br/no-194/7295-george-jackson-teu-nome-e-resistencia>. Acesso em: 29 out. 2019.
    • ENGELKE, Paloma. MISTURAS POSSÍVEIS: PÚBLICO, PRIVADO E UM LÉXICO FAMILIAR. 2018. Disponível em: <http://valkirias.com.br/lexico-familiar-natalia-ginzburg/>. Acesso em: 29 out. 2019.
    Maio 25, 2019
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    Título: Feminismo Para os 99%: Um Manifesto

    Autores (as): Cinzia Arruza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser

    Editora: Boitempo

    Sinopse: Moradia inacessível, salários precários, saúde pública, mudanças climáticas não são temas comuns no debate público feminista. Mas não seriam essas as questões que mais afetam a esmagadora maioria das mulheres em todo o mundo? Inspiradas pela erupção global de uma nova primavera feminista, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, organizadoras da Greve Internacional das Mulheres (Dia sem mulher), lançam um manifesto potente sobre a necessidade de um feminismo anticapitalista, antirracista, antiLGBTfóbico e indissociável da perspectiva ecológica do bem viver. Feminismo para os 99% é sobre um feminismo urgente, que não se contenta com a representatividade das mulheres nos altos escalões das corporações.

    Boitempo lançou em Março no Brasil “Feminismo Para Os 99%: Um Manifesto”, assim como diversos outros países, que publicaram o livro na véspera ou no dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. A obra tem um viés mais acadêmico, pois foi escrito por três professoras: Cinzia Arruza, professora de Filosofia na New School for Social Research em Nova York, Tithi Bhattacharya, diretora de estudos globais em uma Universidade na Indiana, e Nancy Fraser, professora de Filosofia e Política também em Nova York.

    O prefácio da versão brasileira foi escrito por Talíria Petrone, eleita deputada pelo PSOL em 2018; a carioca é professora e ativista. Nas primeiras páginas, escritas por Talíria, já percebemos sobre o que se trata o livro: ele vai debater sobre um feminismo que vai contra às correntes liberais. Um feminismo anti-capitalista e antirracista; uma roupagem que ganha força nas últimas décadas com as greves feministas – como a Women’s March, em 2018, as greves Argentinas, brasileiras, dentre outras -, e que possui a participação da classe trabalhadora.

    O feminismo é uma urgência no mundo. O feminismo é uma urgência na América Latina. O feminismo é uma urgência no Brasil. Mas é preciso afirmar que em todo feminismo liberta, emancipa, acolhe o conjunto de mulheres que carregam tantas dores nas costas. E não é possível que nosso feminismo deixe corpos pelo caminho.” (PETRONE, Talíria, pag. 12)

    O debate incitado pelas autoras nos ajuda a enxergar a massificação do movimento e a agenda liberal. A equidade entre homens e mulheres está muito longe de ser apenas salários iguais; as autoras exemplificam líderes como Hilary Clinton, que não movem realmente a estrutura de base das mulheres trabalhadoras, das mulheres negras, das lésbicas, e das mulheres pobres.

    Então, em geral, o feminismo liberal oferece o álibi perfeito para o neoliberalismo. Ocultando políticas regressivas sob uma aura de emancipação, ele permite que as forças que sustentam o capital global retratem a si mesmas como “progressistas”. Aliado ao sistema financeiro global nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que oferece cobertura à islamofobia na Europa, este é o feminismo das fêmeas detentoras do poder (…)” (pag 39)

    É necessário questionar as supostas políticas feministas, que caminham lado a lado com a opressão de classes sociais, como mulheres imigrantes; as autoras exemplificam o quanto o capitalismo, aliado à constante busca do lucro e reprimindo camadas da sociedade, é um grande aliado do machismo. Quando o movimento se alia a uma visão comercial do que é ser feminista, dando voz apenas para mulheres brancas, de classe média alta e que possuem o poder do capital, ele perde o sentido; o Manifesto do Feminismo para os 99% busca colocar no protagonismo mulheres trabalhadoras, que enfrentam rotinas exaustivas – sendo responsáveis também pela casa -, mulheres negras, mulheres indígenas.

    Fica claro que há dois caminhos: rejeitar a política populista e reacionária, e a política neoliberal, intitulada de progressista e que mascara as atuais estruturas de poder. O livro possui onze tezes: cada uma delas debate um tema específico que o Feminismo para os 99% pretende abraçar. É importante questionar o nosso papel no movimento, e quando nos intitulamos de feministas: A quem o nosso movimento está ajudando? Ele está fazendo um trabalho de base? Ele enxerga que todas as mulheres, independente da raça e da classe, necessitam de direitos urgentemente?

    O feminismo para os 99% não opera isolado de outros movimentos de resistência e rebeldia. Não nos isolamos de batalhas contra a mudança climática ou a exploração no local de trabalho; não somos indiferentes às lutas contra o racismo institucional e a expropriação. Essas lutas são nossas lutas, parte integrante do desmantelamento do capitalismo, sem as quais não pode haver o fim da opressão sexual e de gênero.

    As autoras fazem uma introdução interessante ao feminismo marxista; no final do livro, após a apresentação das teses, em um “Posfácio”, discorrem sobre como a luta contra o capitalismo e as teorias desenvolvidas por Marx e Engels em O Manifesto Comunista e Marx em O Capital, influenciam o Manifesto Para os 99%. De maneira didática, elas conceituam algumas teorias de Marx e explicam o que é reprodução social. Esses pontos são relevantes, principalmente para justificar o que o livro mais acredita: a capacidade das mulheres trabalhadoras de realizarem greves.

    A América Latina é citada diversas vezes. Quantas vezes vemos as manifestações protagonizada pelas feministas do Sul em destaque? Pouquíssimas. e exemplos é o que não faltam nos últimos anos (principalmente na Argentina).

    REFERÊNCIAS

    FEMINISMO COM CLASSE. Marxismo, Feminismo Radical e Sociologia. Disponível em <https://medium.com/qg-feminista/marxismo-feminismo-radical-e-sociologia-3a418657f25c>. Acesso em 24 de Maio de 2018.

    Abril 22, 2019
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    Djamila Ribeiro é brasileira, mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, colunista da Carta Capital e da Marie Claire Brasil. É pesquisadora, escritora e responsável por uma das coleções de livros mais relevantes do Brasil na última década: “Feminismos Plurais”, inicialmente lançado pelo selo Sueli Carneiro, e que ganha nova edição pela Pólen Livros. Djamila consegue estabelecer no país discussão sobre temas importantes trazendo como viés o feminismo negro. Tivemos três lançamentos até o final de 2018: “Lugar de Fala”, escrito por Djamila, “O que É Encarceramento em Massa?“, de Juliana Borges, e “O Que É Empoderamento?“, por Joice Berth, além de “O que é racismo estrutural?”, de Sílvio Almeida, e “Interseccionalidade”, de Carla Akotirene, em 2017.

    O próximo nome da coleção chegou no início do mês de Abril: “Racismo Recreativo”, de Adilson Moreira.

    Além de ter no currículo os seus próprios títulos, a autora também faz um trabalho fundamental como editora, pois conseguiu estabelecer uma coleção que trouxesse a discussão de maneira didática; todos os livros estão no valor de R$19,90.

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    Começar a leitura da coleção Feminismos Plurais foi um dos primeiros passos para mim em uma trajetória de conseguir compreender profundamente a ligação do feminismo com a raça, a classe e o gênero. Bell hooks já nos explica que para ser feminista é necessário ser antirracista, e entender as complexidades estruturais disso é relevante.

    Juliana Borges trás em “O Que É Encarceramento em Massa?”, uma das pautas que por diversas vezes, é esquecida nos movimentos sociais: o que é ser antipunitivista? Porque a maioria da população carcerária é negra? A população feminina nos presídios só aumentou nas últimas décadas; porém essas mulheres tem cor e classe social específicas. Como o feminismo deve agir sob esse tema?

    Entre 2006 e 2014, a população feminina nos presídios aumentou em 567,4%, nos colocando no ranking dos países que mais encarceram no mundo, ficando no 5º lugar. 67% destas mulheres são negras e 50% são jovens. Justificando

    Já a arquiteta e ativista Joice Berth desmistifica o que significa empoderamento. Desde o início do boom do feminismo no Brasil ouvimos essa palavra todos os dias, mas o que ela realmente significa? O que pode ser considerado se empoderar? Uma pesquisa profunda feita pela acadêmica abre os nossos olhos sobre o conceito. O empoderamento é um processo que deve partir de si mesmo – e não apenas de maneira individual, mas sim coletiva -, ou seja, a atitude de empoderar-se deve promover alterações na estrutura social, caso contrário, só irá manter o status quo.

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    “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?”, foi lançado em 2018 pela Companhia das Letras, e reúne textos de algumas colunas que Djamila escreveu para a Carta Capital, além de inéditos. Os temas debatidos são diversos, e o interessante é que os textos são curtos e rápidos de ler; além da linguagem acessível, a autora aborda diversas problemáticas, como o ativismo nas redes sociais, o racismo sofrido pela tenista Serena Williams, e também a sua trajetória na infância, os passos que ela enfrentou até chegar a se empoderar.

    As ações serão no sentido de manter os lugares construídos por uma sociedade machista e racista. Mulheres podendo ser até belas, recatadas e do lar, mas não agentes de mudança e ocupando espaços de poder. Da população negra limpando, mas não sentando nos banco da universidade. Da manutenção das mulheres negras dentro de uma lógica escravista. É como se eles dissessem: “vocês já viram demais.

    O sucesso e relevância da autora é tanto que os seus livros vão ser lançados na França em Maio, coincidentemente no mesmo país de uma de suas maiores referências: Simone de Beauvoir. Djamila estuda o pensamento da filósofa francesa há anos e “O Segundo Sexo”, é uma das suas maiores referências em diversas publicações da autora paulista.

    Escolhida pelo próprio governo de Emmanuel Macron, a ativista participou do programa “Personalidades do Amanhã”, com diversos ativistas também da América Latina.

    REFERÊNCIAS

    • RIBEIRO, Djamila. “Feminismo negro não exclui, amplia”, diz Djamila Ribeiro. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/feminismo-negro-nao-exclui-amplia-diz-djamila-ribeiro/>. Acesso em: 20 de Abril de 2018.
    • JUSTIFICANDO. “Pesquisadora discute encarceramento em massa com base em pensadoras negras.” Disponível em: <http://www.justificando.com/2017/12/08/pesquisadora-discute-encarceramento-em-massa-com-base-em-pensadoras-negras/>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.
    • SOUZA RODRIGUES, Wallesandra. “O que é empoderamento?” Disponível em: <http://revistaalabastro.fespsp.org.br/index.php/alabastro/article/download/247/121>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.
    • RIBEIRO, Djamila. “É hora de enfrentamento e resistência.” Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/politica/e-hora-de-enfrentamento-e-resistencia/>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.

    Fevereiro 9, 2019
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    Uma das minhas metas para 2019 é ler mais do que o ano passado. Em 2018 consegui ler em torno de 23 livros, mas a minha média costumava ser muito maior há alguns anos atrás. Porém o cursinho, a faculdade e o trabalho apareceram, deixando minha rotina de leituras mais complicadas. Mas acredito que comecei o ano com o pé direito, e Janeiro foi um mês cheio de boas leituras (principalmente com uma pegada mais política, algo que eu tenho focado desde o ano anterior).

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    Título: Razão e Sensibilidade

    Autora (a): Jane Austen

    Sinopse: “A vida das irmãs Marianne e Elinor Dashwood se transforma radicalmente com a morte do pai, cuja herança vai parar nas mãos do filho do primeiro casamento. A história se passa numa época em que, sem dotes, as jovens não tinham a menor chance de conseguir um bom marido. Mas isso não as impede de conhecer o amor. Impulsiva, Marianne se entrega sem pensar à paixão por um homem sem caráter. Já Elinor esconde seus sentimentos, o que não significa que sejam menos intensos. Ao longo da história, as duas enfrentam diferentes provocações numa sociedade movida por dinheiro. A cada reviravolta do destino, o leitor se pergunta: Qual o melhor caminho para a felicidade: razão ou emoção?

    Jane Austen é indispensável para quem é fã de romances e clássicos. Esta é a minha segunda leitura (a primeira foi Persuasão). As protagonistas interessantes e complexas da autora inglesa são sua marca registrada. Em Razão e Sensibilidade, as personagens principais são as irmãs Dashwood. Marianne e Elinor são bem diferentes. Enquanto uma carrega o coração nas mãos  e não tem medo de se apaixonar, Elinor – a mais responsável, paciente e madura da família – não sabe expressar bem os seus sentimentos. Elas tem relacionamentos diferentes com os mesmos familiares e amigos; o livro carrega uma contradição entre as irmãs, mas que apesar das diferenças, são extremamente unidas.

    Apesar dos romances ocuparem uma parte importante dos enredos de Austen – ela critica de diversas maneiras à pressão para as mulheres jovens se casarem com homens ricos na época, praticamente uma exigência -, o foco é as relações das irmãs Elinor e Marianne, que são aprofundadas. No século 19, Jane Austen já criticava os modelos burgueses e patriarcais.

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    Título: O feminismo é para todo mundo – Políticas arrebatadoras

    Autora (a): Bell Hooks

    Sinopse: O feminismo sob a visão de uma das mais importantes feministas negras da atualidade. Eleita uma das principais intelectuais norte-americanas, pela revista Atlantic Monthly, e uma das 100 Pessoas Visionárias que Podem Mudar Sua Vida, pela revista Utne Reader, a aclamada feminista negra bell hooks nos apresenta, nesta acessível cartilha, a natureza do feminismo e seu compromisso contra sexismo, exploração sexista e qualquer forma de opressão.

    Uma das ativistas e escritoras mais importantes do século 21, Bell Hooks lançou originalmente “Feminism is For Everybody” em 2000. O selo Rosa dos Tempos, criado nos anos 90 e reproduzido pela Galera Record, publicou a obra no Brasil pelo selo feminista. Referência nos estudos de gênero, a obra de Hooks retrata o feminismo pela sua visão original: a luta que envolve classes, o combate ao racismo, sexismo e opressão. As mais de 150 páginas discutem em capítulos diversos temas do movimento, muitos deles pouco debatidos, como o direito das mulheres negras, a necessidade de incluir homens no movimento, e os privilégios das mulheres brancas, que muitas vezes perpetuam maneiras de opressão dentro do feminismo.

    É uma leitura essencial, pois faz o recorte de raça e sexualidade dentre do movimento contra o sexismo. Bell Hooks também aponta como o capitalismo e diversas atitudes opressoras podem enfraquecer o feminismo, algumas destas praticadas por mulheres; ela detalha e explora temas como religião, movimento LGBT, feminismo radical, direitos reprodutivos e emancipação das mulheres negras e indígenas. Com certeza, a minha leitura favorita de Janeiro.

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    Título: Sejamos Todos Feministas

    Autor (a): Chimamanda Ngozi Adichie

    Sinopse: O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo. “A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.”

    Esse é um dos livros mais famosos da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que despontou como uma das maiores autoras contemporâneas a falar sobre o sexismo nos últimos anos. Ela possui um currículo cheio de livros reconhecidos mundo afora, como “Hibisco Roxo”, “Americanah”, “Meio Sol Amarelo”, “No Seu Pescoço”, dentre outros títulos que chegaram no Brasil. Sejamos Todos Feministas é um livro curtinho, que transcreve uma palestra da autora para o TedX, falando sobre a sua experiência em como entrou no movimento, especialmente no contexto de uma mulher nigeriana.

    O mais incrível é que há algumas semanas o livro se tornou gratuito no Amazon pelo Kindle (você pode baixar o aplicativo pelo celular e acessá-lo sem custo). É uma ótima introdução para posteriormente conhecer as obras da autora de ficção, e também presentear pessoas que você conhece que sabem pouco sobre o feminismo.

    Janeiro 24, 2019
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    Título: Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)

    Autor (a): André Aciman

    Editora: Intrínseca

    Sinopse: A casa onde Elio passa os verões é um verdadeiro paraíso na costa italiana, parada certa de amigos, vizinhos, artistas e intelectuais de todos os lugares. Filho de um importante professor universitário, o jovem está bastante acostumado à rotina de, a cada verão, hospedar por seis semanas na villa da família um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e papeladas. Uma cobiçada residência literária que já atraiu muitos nomes, mas nenhum deles como Oliver. Elio imediatamente, e sem perceber, se encanta pelo americano de vinte e quatro anos, espontâneo e atraente, que aproveita a temporada para trabalhar em seu manuscrito sobre Heráclito e, sobretudo, desfrutar do verão mediterrâneo. Da antipatia impaciente que parece atravessar o convívio inicial dos dois surge uma paixão que só aumenta à medida que o instável e desconhecido terreno que os separa vai sendo vencido. Uma experiência inesquecível, que os marcará para o resto da vida. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói uma viva e sincera elegia à paixão, em um romance no qual se reconhecem as mais delicadas e brutais emoções da juventude. Uma narrativa magnética, inquieta e profundamente tocante.

    “Me Chame Pelo Seu Nome” conquistou milhares de pessoas no início de 2018. A estréia do filme – que recebeu indicações ao Oscar -, levou êxito também para o livro, publicado pelo egípcio André Aciman, que atualmente mora nos Estados Unidos e é professor universitário. Lançado originalmente em 2007 – dez anos antes de chegar às telas -, se tornou um fenômeno da literatura LGBTQ+ (inclusive ganhando prêmios importantes). Apesar de filme e livro serem muito parecidos, vale a pena embarcar na leitura profunda e emocionante que a versão literária nos trás do romance de Elio e Oliver.

    Narrado por Elio, um jovem de 17 anos que passa os verões em uma casa no Sul da Itália com a família todos os anos, o romance já começa direto ao ponto: o momento que o jovem conhece Oliver, um estudante norte-americano que está escrevendo sua tese de filosofia. Todos os anos, um graduando passa o verão na casa da família ajudando o pai de Oliver, professor reconhecido. O ambiente em que eles vivem ganha espaço na narração delicada e bem explorada de Aciman; não espere por diálogos rápidos ou capítulos instantâneos, como vemos muito nos romances atuais. O autor explora bem os cenários, os personagens no geral e o livro trás enormes referências à literatura, filosofia e sociologia, assuntos de importância para a família de Oliver.

    Elio é um personagem elaborado do início ao fim. Como ele é o narrador, entramos profundamente nos seus pensamentos, nas suas angústias e dúvidas, normais para um adolescente, mas que ganham uma pitada de intensidade. É possível se identificar, já que quando estamos nessa idade, tudo ganha uma dramaticidade ainda maior. E é assim que os sentimentos confusos de Elio sobre Oliver ganham as páginas: ele se interessa automaticamente pelo intelectual, – que é de Nova York -, pelas suas ideias e pensamentos. O desejo começa a nascer aos poucos, até ganhar plenitude e ele realmente se apaixonar pelo novo vizinho de quarto.

    Apesar de ganhar grande destaque, nós enxergamos Oliver apenas pela visão de Elio e dos outros moradores da casa. É fácil se afeiçoar por ele, que é charmoso e conquista diversos personagens ao longo da história. Mas Oliver também carrega uma aura de mistério, complexidade e dúvida, características que quase permeiam uma paixão platônica do protagonista por ele; o livro é repleto de momentos de romance, desejo e sexualidade entre os dois personagens. Em nenhum momento eles são rotulados; ambos se relacionam com homens e mulheres ao longo do enredo. Ao questionado, o autor afirmou que não colocou a palavra “gay” no livro e também não debateu sobre as violências que eles poderiam sofrer:

    Eu não queria aquelas típicas situações que sempre aparecem em livros sobre gays. Você sabe, a polícia atacando um casal gay, pessoas cruéis nas ruas batendo neles, alguém infectado com HIV. Eu não queria nada disso no meu romance. Eu queria imaginar: como seria a vida se um casal gay não tivesse de passar por nenhuma dessas coisas violentas e sem sentido?

    André Aciman em entrevista à Cult.

    É claro que podemos pensar a decisão do autor por outra ótica; Oliver e Elio são dois personagens brancos e de classe média alta que estão se descobrindo e vivendo o seu romance. Eles estão protegidos pela bolha em que vivem. A família de Oliver, além de de fazer parte de uma elite acadêmica, apoia a sexualidade do filho de diversas maneiras, sem questionamentos, inclusive o incentivando a aproveitar a vida e conhecer mais sobre si; sabemos que a realidade no Brasil e em diversas outras partes do mundo é muito diferente, ainda mais quando se fala de jovens negros da comunidade LGBTQ+.

    Não é também só o casal de protagonistas que ganha destaque. Marcia, amiga de infância de Oliver, também é um dos romances do jovem; o leitor também fica em dúvida se Oliver tem outros amores, o que de certa maneira quebra os padrões do amor romântico, tão presente nos livros de Young Adult (jovem adulto). A sensação é que eles estão apaixonados um pelo outro, mas também são livres.

    Como você vive a sua vida é da sua conta. Só se lembre: nossos corações e nossos corpos nos são dados uma única vez.

    Mais do que uma história sobre amor, paixão e primeiras vezesCall Me By Your Name nos relata o autoconhecimento de Oliver, sua história para descobrir quem ele realmente é, o que ele espera da vida. Conhecemos o personagem aos dezessete anos e quando o livro termina, ele já passou dos trinta; apesar da adaptação cinematográfica ser muito parecida, alguns capítulos não estão presentes. O ponto alto são as narrações, feitas com delicadeza. É um verdadeiro mergulho às sensações de se apaixonar por alguém.

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