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  • Outubro 13, 2019
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    Ontem me afundei, e estou cansada de quase sempre me afogar

    entre remédios tomados na hora certa,

    e pílulas na carteira para situações de emergência, eu me pergunto

    se sempre vou ser assim.

    Ontem eu achei que estava bem,

    depois de ter visto o mar,

    depois de ter colocado minha roupa favorita.

    Achei que eu ia aguentar, não teria motivo para você me desajustar

    mas durou pouco tempo.

    Quando eu vi, as coisas já estavam desmoronando de novo.

    Entre abraços de estranhos, entre gritos abafados e corpos que eu não conheço

    pessoas que eu não sei quem são,

    digo que gosto de fazer tudo sozinha,

    talvez seja mentira. Eu odeio estar sozinha.

    Odeio estar sozinha quando não tenho a quem chamar,

    quando coloco meus sentimentos em cima de quem nunca vai nem ao menos me olhar,

    quando experimento a sensação das relações frias e desajustadas,

    que deixam o vazio ainda maior.

    Levanto da cama, enxugo qualquer lágrima, tento seguir o meu dia,

    “obrigada pela ajuda”,

    talvez você também me odeie, como poderia não odiar?

    Obrigada pelo abraço, eu não quis incomodar.

    Desculpe ter invadido o seu espaço, eu tenho essa mania abrupta de chegar

    e me instalar,

    de achar que aquele mínimo momento vai me ajudar a melhorar.

    Eu não sei o que fazer. Ontem os remédios pararam de funcionar.

    Setembro 23, 2019
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    arte: https://fitacola.com/torn-around-iv-2018

    arte: https://fitacola.com/torn-around-iv-2018

    Todos os dias antes de sair de casa,

    penso nos lugares que não conheci e nos becos que me parecem estranhos,

    assim como as ruas grandes e as rodovias solitárias

    ou as pessoas que vi apenas uma vez e deixei para trás sem despedida

    não gosto de me despedir, pois sempre sinto que ainda vou vê-las mais uma vez.

    Foi como naquele dia, em que te vi de longe

    e eu não quis voltar para casa nunca mais

    e dias depois, na análise, eu digo: “eu nunca quero voltar para casa”

    nunca quero voltar para os dias que são iguais,

    e as mesmas ruas que conheço, e as mesmas pessoas

    e os sentimentos que se repetem, roteiros iguais, premeditados

    são todos tão parecidos, essa é uma cidade estranha

    em que as pessoas nunca mudam.

    Cidade cheia de paisagens bonitas, mas cheiros que incomodam

    amores que cansam e vão embora,

    e que nos anos seguintes continuam os mesmos; tudo continua igual

    eu tenho a estranha sensação que se voltasse para esse lugar cinco anos depois

    nada teria mudado.

    As ruas seriam as mesmas,

    as pessoas ainda vestiriam as mesmas roupas, e teriam os mesmos pensamentos

    e você ainda estaria lá, arruinando qualquer coisa que tentasse te fazer feliz

    Por isso, quando vou embora, sinto um respiro

    sinto cada pedaço do meu corpo querendo ficar, desejando esse mundo novo

    nesse lugar de terra vermelha, de sensação quente

    nem o seco me incomoda

    nem o frio me atrapalha

    nem os lugares apinhados de gente, as luzes, o som

    eu sempre desejo ficar.

    Naquele dia os meus olhos brilharem e o meu corpo todo estremeceu

    foi a sensação bonita de ver o diferente

    de experienciar o novo

    mas eu sei que tem hora para acabar

    será que eu preciso mesmo voltar?

    Antes de ir embora tentei te guardar na minha mente

    cabelos cacheados, pretos, sorriso bonito

    ah, que sorriso lindo

    me deu vontade de ficar

    mas já era hora de ir

    olhei para trás, enquanto você se distanciava, ficava longe

    até eu não enxergar mais

    será que já é cedo demais para voltar?

    Agosto 28, 2019
    postado por
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    o amor próprio está nas revistas e nos livros de autoajuda,

    nas sessões de terapia e nos meus escritos,

    mas de alguma maneira eu sempre o vejo perdido.

     

    perdido no banheiro de estranhos quanto olhei o meu reflexo naquele espelho,

    perdido em relações tampa-vazio,

    em conversas que eu só fingi ouvir, me perguntando

    o que diabos eu estava fazendo ali

     

    jogado nas tentativas de convencimento, de “preste atenção em mim”,

    nos meus sentimentos que não segui,

    quando te procurei mesmo você querendo logo ir.

     

    causalidade, quartos desconhecidos, copos vazios.

    deixei cada pedaço do meu amor ali, sem saber seguir.

     

    na volta para casa chorei no carro, quase meia noite,

    eu mal te conheci, mas deixei outro pedaço do meu amor em ti.

     

    que mania péssima de espalha-lo por aí, sem saber para que lugar ir,

    quebrando minha jornada interminável.

     

    eu nunca soube cultivá-lo, estou tentando, mas o meu caminho

    geralmente é tropeçado. 

    Agosto 27, 2019
    postado por

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    Ultimamente eu ando pensando muito sobre as mulheres que me inspiram e aquelas que me dão força. Depois de longas jornadas de tentar me conhecer mais – que ainda estão em processo, vale dizer -, e sessões em que minha terapeuta dizia que eu precisava me amar urgentemente (não amanhã, não depois, mas começar o trabalho duro hoje) eu comecei a me cercar de livros que poderiam me ajudar, de ouvir mais as amigas que estavam do meu lado e de reparar como as mulheres que eu convivia me traziam algo de novo e de inspirador. É importante dizer que nenhuma delas é perfeita. Todas estão longe de serem. São cheias de defeitos como qualquer ser humano, como eu, e a ideia de você se inspirar em alguém que precisa ter tudo certo na sua vida é uma furada. Afinal, quem consegue ter tudo no seu lugar nos tempos de hoje? É uma tarefa quase impossível.

    Elas estavam lá nos pequenos detalhes. Desde a minha ex-chefe, que coordenava uma empresa todos os dias enquanto organizava eventos que ensinavam meninas pré-adolescentes e adolescentes a criar aplicativos que mudassem as suas comunidades, correndo atrás de suporte para que aquelas jovens tivessem alimentação durante os programas (algo difícil; em tese, todo mundo apoia o feminismo, mas na hora do vamos ver…), na minha amiga que se engaja com toda a força que tem nos projetos que acredita, por um mundo mais justo e igualitário para as mulheres negras, e que está envolvida em pautas de consciência ambiental.

    Nos meus dias mais complicados, quando parece que está difícil demais de construir a minha auto estima e o meu próprio caminho, eu tento olhar mais para o lado. Para quem eu vejo que também está na sua trajetória e no seu processo todos os dias. Trajetórias essas que podem ser duras; às vezes nós idealizamos demais as pessoas que estão ao nosso lado, que não conhecemos intimamente, e achamos que elas tem tudo acertado. Eu já tive essa ideia de muitas mulheres que trabalhavam comigo, que lideravam equipes enquanto enfrentavam um doutorado. Eu a via sendo uma profissional brilhante, mas não fazia ideia de que ela enfrentava desafios extremamente difíceis na sua vida pessoal. Que todos os dias era uma luta. E que mesmo assim ela estava lá, de pé, dando o seu melhor. E foi nesse momento que caiu a ficha pra mim que convivemos com mulheres fodas. Elas não precisam estar na internet, ou realizando uma viagem dos sonhos, ou tendo uma vida que parece incrível. Elas podem estar ali, do seu lado, lidando com os seus próprios demônios.

    Eu aprendi a tentar achar a força feminina dentro de mim. Tentar construir a minha intuição, o meu sexto sentido, a calma antes da tempestade. Me livrar do ideal romântico, que tanto me fez pensar que eu precisava doar o meu eu inteiro e perder a minha essência, quando ela é verdadeiramente a coisa mais importante que eu tenho. Sigo buscando o equilíbrio me inspirando em mulheres que estão na minha rotina, nas amigas corajosas, nos livros de Angela Davis e nos arquétipos escritos por Clarissa Pinkola Estés. Alguns dias são mais complicados que outros, mas sinto que estou no caminho certo. 

    Junho 24, 2019
    postado por

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    Eu nunca gostei de incertezas,

    mas você sempre foi o meu maior talvez

    misturado de agora-vai-dar-certo, ou de mentiras que eu contava para mim mesma,

    dizendo que eu estava com os pés no chão.

    Sempre fui um talvez carregado de esperança,

    com a certeza que a semana que vem chegaria,

    talvez você tenha tempo para um café,

    para um filme

    talvez eu consiga convencer a mim e aos outros,

    talvez dessa vez eu não terminasse carregando os pedaços, colhendo-os do chão.

    Quem sabe Quinta-Feira que vem vai ser diferente,

    talvez com a luz da noite você me ache melhor, ou talvez depois de três copos de bebida

    a gente tenha chance de existir de novo.

    Ou no próximo mês, quando as coisas melhorarem

    quando os seus machucados sararem,

    quando você resolver voltar, quando a sua vida estiver resolvida.

    Mas a verdade é que as suas coisas já estão resolvidas faz tempo.

    O café nunca esteve nos planos, muito menos o filme,

    as Quintas eram só uma distração falha,

    não importa a luz, ou a bebida,

    ou a cor do batom.

    O talvez sempre foi muito frágil,

    negável e quebradiço,

    nunca se sabe até quando ele vai existir.

    Ele não tem força.

    Não há como o talvez tentar resistir.

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