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    Ronda Virtual #2 – O que há de mais interessante na internet

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  • Maio 4, 2019
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    Você já seguiu uma página de ilustras no Instagram, no Facebook (ou pela internet toda) e já se perguntou quem era a mente criativa por trás dos desenhos, dos poemas e das frases que mexem tanto conosco? Foi com essa pergunta que eu procurei a Debora Kais, autora do perfil Deborices, que possui mais de 50 mil seguidores no Insta. No Facebook ela está quase batendo os 100 mil likes!

    Deborices surgiu em 2016, e desde então o traço da artista mudou bastante. Por meio de sua arte, ela consegue nos fazer refletir, se identificar e se emocionar. Os temas são diversos (muitos desenhos seus possuem um tom super político), e ela consegue representar, com suas personagens, mulheres muito diferentes, o que promove ainda mais representatividade. As tirinhas e os posts de Debora, que tem 17 anos e mora em Fazenda Rio Grande – município do Paraná -, conseguem falar comigo de um jeito especial. Em momentos difíceis, eles sempre estão lá, na distância de um clique, e é incrível como a arte pode nos trazer esse conforto e o sentimento de pertencimento, que você não é a única que está sentindo tudo aquilo.

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    Confira o meu papo com a Debora e conheça mais sobre ela!

    1. Você começou a sua página no Facebook, “Deborices”, em 2016, juntamente com a página do Instagram. Desde então foram três anos compartilhando a sua arte na internet. O seu traço se diferenciou muito desde então, como ocorreu esse processo? Quais foram suas inspirações?

    Meus traços mudaram por pura prática, eu desenho desde muito bebê  (uns 2 aninhos de idade). Ao longo do tempo, meus traços sempre foram mudando bastante. Porém, depois que eu comecei a página, eu passei a desenhar com muito mais frequência, porque os posts são diários, então, automaticamente, essa prática diária me fez evoluir muito. É muito perceptível a mudança se pegar as artes do início e comparar com as de agora. Eu tenho muitos artistas que me inspiram, mas eu tento sempre ser muito original! A minha sorte é ser muito criativa desde criança.

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    2. Uma das suas características são as tirinhas e as artes em que você fala sobre amor próprio, dificuldades, tristeza, e sentimentos que conversam muito com inseguranças que enfrentamos no mundo feminino. Você se inspira na sua própria vida ou também no que acontece com os seus amigos (as)?

    Às vezes me inspiro no que eu passo, às vezes no que eu vejo pessoas ao meu redor passarem, e também no que eu imagino que alguém possa estar passando e, de que forma posso confortar um pouco, tornar mais leve.

    3. A representação também é um fator super presente nos seus desenhos. Você desenha personagens de etnias, cabelos e características físicas diferentes, o que é super importante. De onde surgiu essa vontade? Você sente que consegue dar visibilidade maior para mais pessoas?

    Eu gosto de abraçar as diferenças, de fazer as pessoas serem incluídas, eu tenho isso dentro de mim desde que me entendo por gente. Tenho desenhos guardados de quando eu tinha 7 anos de idade, onde eu escrevia que não devemos ter preconceito com a cor de ninguém. Eu sempre fui uma criança inclusiva e eu me orgulho muito disso. As crianças são puras, o racismo e outros preconceitos são ensinados! Trago isso comigo e expresso na minha arte. As pessoas são diferentes, a gente vive um mundo tão artificial na Internet, eu não preciso ser mais uma colaboradora disso. Ajudar no processo de aceitação, ajudar as pessoas se amarem e, amar o que as torna diferente é revolucionário. Eu vejo que as pessoas se sentem representadas, ou que gostam muito dessa diversidade que eu abordo. Fico muito feliz com isso.

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    4. Você também realiza alguns projetos e séries específicas. A última que está rolando no seu Insta é a “Você não é (…)”, que faz com que a gente se identifique de cara. Como é essa sensação de, por meio da sua arte, conseguir confortar quem te acompanha, e de ajudar de alguma maneira?

    O projeto “você não é…” surgiu do nada na minha mente, acho que foi um sinal de que eu deveria fazer isso e, comecei desenhar desesperadamente as 50 artes que estão ilustrando esse projeto lindo que tem o intuito de mostrar pras pessoas que elas não são tudo aquilo de ruim que elas alimentam dentro de suas inseguranças. Eu sinto que estou cumprindo muito bem o papel que eu quero cumprir com a minha arte. Eu recebo mensagens lindas de pessoas que se sentem bem através da minha arte. Eu sei que não estou curando ninguém, mas, aliviar o fardo, 1% que seja, no dia-a-dia das pessoas, é uma grande coisa pra mim.

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    5. Você pretende seguir carreira no mundo artístico? Quais são os seus planos futuros?

    Eu pretendo sim! Estou com um projeto maravilhoso chamado “PankParks” que é uma loja virtual, com produtos que levam minhas artes e também as artes da minha amiga Caroline Batista. São canecas, pôsteres, e, mais pra frente teremos outros produtos também. Quem quiser conhecer, @pankparks no instagram e facebook. Meus planos futuros são continuar sempre com a minha arte, estudar, fazer esse projeto dar certo, ser muito feliz com muito amor.

    Como a Debora falou, ela está abrindo a sua loja virtual! Você pode conferir aqui os produtos!

    Abril 29, 2019
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    Em Março deste ano a Glamour norte-americana já tinha dado a cartada: as unhas coloridas são a nova aposta de nail trend desde o final de 2018. Nos desfiles o que se viu foram versões criativas: uma cor diferente em cada dedo, tons pastéis e terrosos, jóias nas unhas e esmaltes foscos. Eu comecei a usar no início desse ano e é divertido misturar um monte de cores e ver o resultado final. Eu prefiro fazer degradês, mas não existe regra nenhuma: aposte nos tons que você mais gostar.

    Minha próxima aposta são as jóias; eu costumo ser básica, mas elas me encantaram tanto que eu estou realmente pensando em colocar nas unhas (que no momento estão bem longas, com fibra de vidro. Recomendo).

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    Os esmaltes foscos sempre ganham uma atenção maior no outono e no inverno, principalmente com o degradê dos tons mais escuros; o mix de marrom, azul escuro e laranja combina perfeitamente com os dias frios. No verão eu usei bastante os esmaltes coloridos, mas depende muito do mood diário no momento de escolher as cores.

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    Abril 22, 2019
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    Djamila Ribeiro é brasileira, mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, colunista da Carta Capital e da Marie Claire Brasil. É pesquisadora, escritora e responsável por uma das coleções de livros mais relevantes do Brasil na última década: “Feminismos Plurais”, inicialmente lançado pelo selo Sueli Carneiro, e que ganha nova edição pela Pólen Livros. Djamila consegue estabelecer no país discussão sobre temas importantes trazendo como viés o feminismo negro. Tivemos três lançamentos até o final de 2018: “Lugar de Fala”, escrito por Djamila, “O que É Encarceramento em Massa?“, de Juliana Borges, e “O Que É Empoderamento?“, por Joice Berth, além de “O que é racismo estrutural?”, de Sílvio Almeida, e “Interseccionalidade”, de Carla Akotirene, em 2017.

    O próximo nome da coleção chegou no início do mês de Abril: “Racismo Recreativo”, de Adilson Moreira.

    Além de ter no currículo os seus próprios títulos, a autora também faz um trabalho fundamental como editora, pois conseguiu estabelecer uma coleção que trouxesse a discussão de maneira didática; todos os livros estão no valor de R$19,90.

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    Começar a leitura da coleção Feminismos Plurais foi um dos primeiros passos para mim em uma trajetória de conseguir compreender profundamente a ligação do feminismo com a raça, a classe e o gênero. Bell hooks já nos explica que para ser feminista é necessário ser antirracista, e entender as complexidades estruturais disso é relevante.

    Juliana Borges trás em “O Que É Encarceramento em Massa?”, uma das pautas que por diversas vezes, é esquecida nos movimentos sociais: o que é ser antipunitivista? Porque a maioria da população carcerária é negra? A população feminina nos presídios só aumentou nas últimas décadas; porém essas mulheres tem cor e classe social específicas. Como o feminismo deve agir sob esse tema?

    Entre 2006 e 2014, a população feminina nos presídios aumentou em 567,4%, nos colocando no ranking dos países que mais encarceram no mundo, ficando no 5º lugar. 67% destas mulheres são negras e 50% são jovens. Justificando

    Já a arquiteta e ativista Joice Berth desmistifica o que significa empoderamento. Desde o início do boom do feminismo no Brasil ouvimos essa palavra todos os dias, mas o que ela realmente significa? O que pode ser considerado se empoderar? Uma pesquisa profunda feita pela acadêmica abre os nossos olhos sobre o conceito. O empoderamento é um processo que deve partir de si mesmo – e não apenas de maneira individual, mas sim coletiva -, ou seja, a atitude de empoderar-se deve promover alterações na estrutura social, caso contrário, só irá manter o status quo.

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    “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?”, foi lançado em 2018 pela Companhia das Letras, e reúne textos de algumas colunas que Djamila escreveu para a Carta Capital, além de inéditos. Os temas debatidos são diversos, e o interessante é que os textos são curtos e rápidos de ler; além da linguagem acessível, a autora aborda diversas problemáticas, como o ativismo nas redes sociais, o racismo sofrido pela tenista Serena Williams, e também a sua trajetória na infância, os passos que ela enfrentou até chegar a se empoderar.

    As ações serão no sentido de manter os lugares construídos por uma sociedade machista e racista. Mulheres podendo ser até belas, recatadas e do lar, mas não agentes de mudança e ocupando espaços de poder. Da população negra limpando, mas não sentando nos banco da universidade. Da manutenção das mulheres negras dentro de uma lógica escravista. É como se eles dissessem: “vocês já viram demais.

    O sucesso e relevância da autora é tanto que os seus livros vão ser lançados na França em Maio, coincidentemente no mesmo país de uma de suas maiores referências: Simone de Beauvoir. Djamila estuda o pensamento da filósofa francesa há anos e “O Segundo Sexo”, é uma das suas maiores referências em diversas publicações da autora paulista.

    Escolhida pelo próprio governo de Emmanuel Macron, a ativista participou do programa “Personalidades do Amanhã”, com diversos ativistas também da América Latina.

    REFERÊNCIAS

    • RIBEIRO, Djamila. “Feminismo negro não exclui, amplia”, diz Djamila Ribeiro. Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/sociedade/feminismo-negro-nao-exclui-amplia-diz-djamila-ribeiro/>. Acesso em: 20 de Abril de 2018.
    • JUSTIFICANDO. “Pesquisadora discute encarceramento em massa com base em pensadoras negras.” Disponível em: <http://www.justificando.com/2017/12/08/pesquisadora-discute-encarceramento-em-massa-com-base-em-pensadoras-negras/>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.
    • SOUZA RODRIGUES, Wallesandra. “O que é empoderamento?” Disponível em: <http://revistaalabastro.fespsp.org.br/index.php/alabastro/article/download/247/121>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.
    • RIBEIRO, Djamila. “É hora de enfrentamento e resistência.” Disponível em: <https://www.cartacapital.com.br/politica/e-hora-de-enfrentamento-e-resistencia/>. Acesso em: 21 de Abril de 2018.

    Abril 12, 2019
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    “Coisa Mais Linda”, dirigido por Heather Roth e Giuliano Cedroni, estreou no início de Abril na Netflix e é a segunda produção nacional a chegar no serviço mundial de streaming. O elenco principal é formado por Maria Casadevall, Patrícia Dejesus, Fernanda Vasconcellos e Mel Lisboa; desde o momento que foi ao ar, a série ganhou posts e comentários na internet por todo o lugar, por trazer o debate do feminismo à tona. Por mais que nas Universidades, na música e em espaços que há ativismo e formação de opinião o termo seja discutido faz alguns anos, ele ainda é desconhecido de boa parte do público brasileiro. É claro que estamos falando de um serviço pago, ou seja, que também possui seu próprio nicho.

    De certa maneira, a série faz uma boa introdução ao debate da equidade de gêneros, trazendo o panorama de 1959 no Rio de Janeiro, focando na protagonista Maria Luíza (Maria Casadevall), que é abandonada pelo marido em São Paulo, que foge com todo o seu dinheiro. Vinda de família de classe média rica, ela possui seus privilégios e nunca questionou muito bem a sua situação de ser criada para servir ao marido e aos filhos. Essa reviravolta só ocorre quando ela vai até o Rio de Janeiro para tentar encontrar o marido; e ao perceber que foi enganada – após quase uma crise existencial -, precisa rever toda a sua vida.

    Os primeiros episódios fazem uma introdução à vida das personagens, relatando como todas elas possuem suas próprias trajetórias e batalhas internas. Adélia (Patrícia Dejesus) é de longe uma das mais interessantes; inclusive, se houvesse uma segunda temporada, eu iria adorar vê-la como protagonista, dando foco principal à sua narrativa. Adélia possui uma vivência completamente diferente das outras personagens, que sempre estiveram confortáveis no seu privilégio branco. Ela é responsável por criar a filha Conceição, e trabalhar na pensão que Malu mora; divide a casa com a sua irmã e o marido, Capitão, que é músico.

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    A série ganhou destaque ainda maior nos debates por mostrar a clara diferença entre a trajetória da mulher negra e da mulher branca. As duas cenas mais emblemáticas da série mostram como a amizade entre Maria Luiza e Adélia não altera o fato de a primeira não enxergar o quanto Adélia é colocada como subordinada: como por exemplo, na cena em que Lígia chega no bar e automaticamente ordena que a personagem entregue um copo d’água para ela, como se fosse sua empregada. Isso fica bem explícito quando entendemos a ideia do Complexo de Sinhádiscutido por diversas autoras negras:

    Pois bem, um desses entraves podemos seguramente chamar de Síndrome de Sinhô/Sinhá, que acomete pessoas brancas de ambos os gêneros. É a continuidade do comportamento e pensamento colonial que habita no cerne emocional das pessoas brancas, alimentando sua noção de supremacia, de superioridade humana, herdada quase que geneticamente de seus antepassados violentos e gananciosos.” BERTH, Joice para Carta Capital

    No episódio quatro, também vemos a briga entre as duas sócias do bar: Maria Luíza pensa em desistir de tudo, e diz para Adélia que a mesma só está a ajudando por causa do dinheiro. É nesse momento que Adélia diz que a primeira só  enxerga a si mesma, ao dizer o quanto ela está sofrendo, que ela está lutando pelo direito de trabalhar, quando Adélia já faz isso desde criança para sustentar a família. É possível também fazer um parâmetro desses privilégios tão escancarados: ao desistir do bar, Maria Luíza volta para a casa da família rica em São Paulo, enquanto Adélia precisa voltar ao emprego na pensão, onde precisa lidar todos os dias com a sua chefe racista, que inclusive a proíbe de usar o elevador.

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    Nos outros arcos da história, o seriado coloca enfoque em temas que são pautas importantes do movimento feminista. Talvez ao tentar inserir todos eles naquele contexto não consegue trabalhá-los com profundidade (afinal, precisaria-se de muitos episódios para realmente debater esses questões com o espaço que eles precisam). Lígia (Fernanda Vasconcellos), prima de Maria Luíza, é vista no início como a mulher perfeita e esposa ideal; aquela que todos os padrões de 1960 se encaixariam. Mas o seu sonho é ser cantora, algo inimaginável para o seu marido, que quer manter as aparências ao se candidatar para prefeito do Rio de Janeiro.

    Entra em cena o estupro marital e a violência doméstica. Lígia é aprisionada, vive em uma relacionamento abusiva ao pior dos seus extremos, tudo enquanto o casal tenta – de maneira falha – manter as aparências. É por meio da libertação de encontrar o seu próprio caminho que ela consegue sair daquela relação. Tudo com muita dor, mágoa, e violência física e psicológica. O desfecho dela pode ter parecido “novelesco”, à primeira vista, como foi apontado por algumas críticas, mas é totalmente crível na realidade do feminicídio no Brasil, em que temos casos novos todos dias.

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    Na outra ponta da iceberg temos Thereza (Mel Lisboa), que em algumas reflexões que tive, pude enxergá-la quase como uma representação da mulher contemporânea. Ela não usa a palavra feminismo em nenhum momento, mas já se reconhece como uma mulher que luta pelos seus direitos; seu casamento é aberto e desconstruído. Seu marido aceita que ela tenha relações sexuais com outras pessoas: de longe tudo parece belo, mas os conflitos entre o casal e na vida da própria Thereza também são profundos e nos levam a questionamentos.

    Sendo a única mulher a trabalhar em uma revista feminina – em que todos os repórteres homens escrevem sob pseudônimos -, ela é considerada revolucionária por já estar no mercado de trabalho. Quando contrata uma nova jornalista, Helô (Thaila Ayla), as coisas começam a mudar. As duas se relacionam, mas por mais que Helô queira levar a relação a outro patamar, Thereza insiste que isso não funcionaria no seu casamento. Eu espero que na segunda temporada essa relação seja mais desenvolvida, pois eu notei que a cena entre as duas na série, por fim, se tornou um fetiche da representação de um relacionamento bissexual, já que o arco não foi mais trabalhado nos episódios seguintes.

    Essa também é outra questão: o male gaze se fez presente em diversas cenas. Male gaze é a visão de uma história pelo olhar masculino (algo que ganhou ainda mais pauta após o lançamento do filme Azul É A Cor Mais Quente, dirigido por um homem); nas cenas de sexo, vemos foco nos seios e na bunda das personagens, enquanto o homem praticamente não aparece. Foi assim nas duas relações de Chico e Maria Luiza. 

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    Coisa Mais Linda cumpre um papel necessário ao introduzir debates complexos nas rodas de conversa do brasileiro; é uma série que traz uma versão mais comercial do feminismo, que sim, possui diversos erros e clichês, mas trás aquela cutucada necessária para começar uma troca de informações importantes, que no momento político que estamos caminhando, se faz extremamente necessário. A segunda temporada foi confirmada, e eu espero que os temas sejam debatidos com mais profundidade e mais tempo de tela; é sempre importante fazermos uma análise crítica do produto que consumimos, especialmente quando fala-se de movimentos sociais, que devem possuir caráter questionadores e radicais:

    “Este paternalismo neocolonial já havia sido promulgado para manter as mulheres não-brancas no fundo, de modo que apenas as mulheres brancas conservadoras/liberais fossem as autênticas representantes do feminismo. As mulheres brancas radicais tendem a não ser “representadas”, e, se representadas, elas são retratadas como um elemento fraco. Não é de admirar, então, que o “poder feminista” dos anos 1990 ofereça mulheres heterossexuais brancas ricas como exemplos de sucesso feminista.” HOOKS, Bell, “O Feminismo É para Todo Mundo”

    REFERÊNCIAS

    • “A Síndrome de Sinhá/Sinhô: fragilidade branca elevada à (pre)potência”, BERTH, JOICE, para Carta Capital, acessado em 12/04/2018: https://www.cartacapital.com.br/justica/a-sindrome-de-sinha-sinho-fragilidade-branca-elevada-a-prepotencia/
    • “Feminismo É Para Todo Mundo”, HOOKS, bell, traduzido no Medium por Carol Correia, acessado em 12/04/2018: https://medium.com/qg-feminista/cap%C3%ADtulo-8-de-feminismo-é-para-todos-por-bell-hooks-32bd54af202a
    Março 29, 2019
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    Março foi um mês especial para a música pop alternativa, com lançamentos de álbuns de cantoras que estão há um bom tempo na mídia, mas lançaram os seus primeiros trabalhos pela primeira vez em 2019. É difícil fugir do pop que toca o tempo todo na rádio, mas algumas artistas nos trazem um refresco interessante para aquilo que já estamos acostumados a ouvir. A norueguesa Sigrid, que estourou nas paradas britânicas com Strangers, trouxe um álbum coeso e com o seu ritmo pop que tem como característica batidas que fogem do clichê radiofônico – como Don’t Feel Like Crying Sucker Punch -.

    Já a adolescente Billie Eilish, que intriga os ouvintes – alguns amam, outros odeiam – finalmente lançou seu debut. “WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?”, assim mesmo, em caps lock, é como se fosse uma colagem de sentimentos: depressão, amor, amizade, tristeza, com direito a ruídos de SMR no início de algumas canções e dubstep em outras. Mas apesar de inovar, também tem espaço para canções melancólicas, que lembram o inicio da sua carreira, quando ela despontou com Ocean Eyes.

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